O turismo maravilhoso que falta - José Ribeiro

O turismo maravilhoso que falta - José Ribeiro

 Os países não se fazem por decreto e a História não se compadece com aventuras.


As elites angolanas sempre perceberam isso e ontem como hoje continuam a construir uma Angola onde todos vão sentir que vale a pena viver.
Neste caminho temos de incluir as derrotas, as hesitações e os fracassos porque são eles que dão consistência ao caminho que queremos trilhar.


E se o país chegou à paz, derrotou poderosas forças, se deu solidaridedae ao mundo e fez da África Austral um espaço de paz e de concórdia, mais facilmente vai construir o muito que ainda está por fazer.


E no Turismo, a indústria da paz, temos quase tudo à espera que alguém, com o mesmo rasgo dos nossos antepassados, faça tudo o que é preciso.


Temos centenas de quilómetros de costa com praias paradisíacas, únicas no mundo.


Mas temos de construir as acessibilidades para essas maravilhas, precisamos de uma rede hoteleira que contemple o turismo de massas e o turismo de luxo.


Precisamos que os municípios onde estão essas praias tenham capacidade para construir o saneamento básico com estações de tratamento dos esgotos. Que sejam capazes de garantir, sem qualquer falha, a distribuição de água e luz. Que tenham recolha e tratamento de lixo, matadouros municipais, serviços de urbanismo, hospitais, centros e postos de saúde e escolas.


Temos o calulú e os mufetes, glórias da gastronomia mundial. Mas os restaurantes das nossas cidades precisam de pessoal especializado. E as ruas têm de estar limpas. A água tem de chegar sem falhas às instalações sanitárias, às copas e às cozinhas. E a luz não pode faltar.
Temos as belas paisagens do Norte, as montanhas do Planalto Central, as chanas do Leste, as imensas planícies do Sul. Temos caça e temos pesca.


Mas temos de levar a todos os recantos de Angola as condições mínimas para que ao lado dos hotéis ou dos complexos turísticos não haja populações inteiras mergulhadas na miséria e na pobreza. 
Angola tem música e tem dança. Tem artes plásticas.

 

Tem escritores e poetas. A nossa pátria moderna nasceu da gesta heróica dos nossos intelectuais do “Movimento Vamos Descobrir Angola”, do qual saíram dirigentes revolucionários lúcidos e corajosos, que conduziram o país à independência. E também deu dois poetas de dimensão universal como Agostinho Neto e Mário António. Temos História, temos passado e memória. Temos tudo para um turismo cultural de sucesso. Mas faltam-nos os museus, os teatros, os centros culturais, as escolas de artes do palco e das belas artes.


Há empresários que estão a construir redes hoteleiras em todo o país. Outros já os construíram. O Estado entrou nesta corrida contra o tempo e leva a toda a parte a água potável, as estradas, as escolas, os hospitais, os aeroportos, os portos, as novas urbanizações. E à medida que tudo entra em movimento nesta maravilhosa construção, percebemos que precisamos de quadros do que tínhamos ontem.
 

Se formos capazes de captar os quadros técnicos que nos faltam, os cientistas e os investigadores que dão espessura à sociedade do conhecimento, um dia destes vamos comer um calulu à beira da praia, ao som de um semba, com um ar puro e um sol como nunca brilhou na nossa terra.
 

Fonte: Jornal de Angola

Comentario

Mario Antonio

Observer | 21-11-2010

Quantas pessoas mundo eh que ja ouviram falar dos grandes poetas Mario Antonio e Agostinho Neto?

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