Na conclusão da sua entrevista, João Kambowela afirma «A pobreza está a aumentar»

Na conclusão da sua entrevista, João Kambowela afirma «A pobreza está a aumentar»

Este texto é a última parte da grande entrevista que este (ex-)candidato independente às eleições presidenciais con­cedeu ao Semanário Angolen­se e cuja primeira parte pu­blicamos na semana passada. Acompanhe a última parte da conversa, embora agora num estilo diferente. 

 

 Instado a pronunciar-se sobre os níveis da pobreza em An­gola, afirmou que este mal social está a aumentar. «Há mais pobres, mais mendigos, a prostituição, a violência, os as­saltos e as doenças aumentaram», afirmou. Assegurou que Ango­la tem «muito, muito dinheiro mesmo» e que anualmente, rende «qualquer coisa como» 70 mil mi­lhões de dólares, tirando os cus­tos de produção do petróleo, para além dos diamantes, peixe, etc.. 

 

O país tem recursos suficientes, para uma população que é muito pequena, menos de 20 milhões de habitantes, que pode resolver os problemas de cada família neste. 
 
Recordou que ainda recente­mente, o Ministério do Planea­mento publicou um relatório em que consta uma estatística que estimava que até quase 80 por cento dos angolanos estavam de­sempregados ou a pobreza estava interligada com o desemprego e a miséria no país. 
 
Ele é de opinião que, à volta de 90% de cidadãos estão num es­tado de miséria, por falta de po­líticas concretas com melhores programas de distribuição das riquezas que o actual. 
 
«Acho que a sociedade está mal servida», lamentou, referindo-se ao facto de a região de Quicabo, no Bengo, estar assolada por uma estiagem. «Nem o Governo cen­tral nem o governo provincial dis­tribuem água potável a essa gente. Temos os mesmos problemas de cheias no Cunene; temos proble­mas de desemprego e falta de ac­tividade económica nas Lundas. 
 
Em Luanda, prosseguiu, há muita gente, em particular a ju­ventude, desempregada, incluin­do chefes de famílias que não conseguem trabalho fixo para sustentá-las. Acha que as estatís­ticas neste momento são irreais, não reflectindo a realidade. Citou as famílias que vivem com menos de um dólar e cidadãos na rua à procura de um dólar para ao fim do dia alimentarem as famílias.
 
Disse que um dólar não chega para a cesta básica dos angola­nos, que poderiam ter de tudo um pouco, «desde a fuba, um bocadi­nho de peixe, um bocadinho de carne, óleo e tudo mais para que as pessoas tivessem uma dieta ra­zoável». 
 
Considerou que os angolanos estão numa penúria extrema, porque não há uma política como, por exemplo, a que existe no Bra­sil, onde há o programa «Fome zero». O Governo de Lula faz questão de que o cidadão tenha uma cesta básica, «que os angola­nos não têm». 
 
Afirma que as crianças vão à escola com fome, pois a merenda escolar é esporádica e não con­sistente. Para Kambowela, a eco­nomia não está a crescer no sen­tido da criação de empregos na indústria, porque não se apostou muito mais na produção agrícola para que sustentasse a indústria a fim de transformar os produtos brutos, que abundam no campo. «Sempre tivemos grandes po­tencialidades agrícolas e expor­támos, mas hoje, somos um país que importamos em quase 90%», lamentou. 
 
O político considera que as eli­tes que governam o país não têm nenhum programa claro para a Saúde e a Educação, recordando que, no passado, ele sugeriu que se garantisse que os cidadãos tives­sem acesso à saúde através duma fórmula, mesmo que os cidadãos pagassem trimestralmente algu­ma contribuição para o programa de acesso à saúde na sua universa­lidade de saúde, de emergência ou mesmo de especialidade.
 
Propõe que se acabe com a transferência que o Estado faz de milhões e milhões de dólares para fora destinados à junta médica, recursos que poderiam ser apli­cados para construir-se hospitais de envergadura e, se necessário for, empregar-se especialistas ex­patriados para que os angolanos melhorassem as suas grandes ca­pacidades. 
 
Isso visaria dotar o país de espe­cialistas em vez de se estar a enviar doentes para fora, «onde, muitas vezes, acabam por falecer». Consi­dera que há falta de visão e de in­teresse de se constituir cá as bases fundamentais para dotar o país de hospitais e clínicas em condições para que cidadãos de outros países venham também a Angola para tratamento, em vez de constante­mente se enviar angolanos para a Namíbia, África do Sul, Londres, França, Brasil, etc. 
 
João Kambowela disse que exis­tem vastas áreas do país onde se pode construir grandes hospitais de especialidade para resolver-se problemas pontuais e outros mais complicados. «Então pergunta­mos: se gastamos tanto dinheiro assim em juntas médicas, porquê que não criamos as capacidades aqui?», questionou. 
 
Desse modo, qualquer cida­dão angolano teria acesso aos hospitais de emergência sem se lhe perguntar como é que ele vai pagar, «as perguntas viriam de­pois.» O cidadão mostraria o seu cartão que confirmava que ele paga e está registado através dos seguros ou de outra fórmula. De­sembolsaria qualquer coisa como o equivalente a cem dólares por trimestre, porque «nós temos conta petróleo e outros recursos que podem pagar a saúde dos ci­dadãos angolanos». 
 
Fonte: SA
 
Tópico relacionado
 

Comentario

incrivel!

mickey mouse | 22-09-2010

Realmente como e que um pais que antigamente(era colonial)exportava productos agricolas para quase toda africa austral hoje em dia importa 90%desses productos?ok,ja sei que os mempelistas vao dizer que foi porcausa da guerra mas 8 anos depois ainda existe essa desculpa??!!e a agricultura e a indutria mais facil de se levantar,e com o solo(ou subsolo,eu nao sou agricultor porisso nao sei destas coisas)rico que Angola tem o levantamento da agricultura quase que seria gratis!e daria emprego ah muita gente.. mas nao...investem dinheiro em condominios que custam os olhos da cara e ninguem compra...

Re:incrivel!

Militante do MPLA - Kwanza Sul | 22-09-2010

O que a guerra destroi não se constroi nem em 10 anos...devagar devagar estamos chegando lá. Mais 50 anos ao MPLA e teremos todos os nossos problemas resolvidos, haja paciência.

Re:Re:incrivel!

mickey mouse | 23-09-2010

deus me livre,mais 50 anos ao mempela???!!!prefiro emigrar pra jamba cruz credo!!!!!!!!daqui a 50 anos o zedu tem 135 anos e ainda e presidente???nnnoooooooo,the horrooorrrrr

Novo comentário

Reflexão da semana

Para Compreender melhor a Costa do Marfim - Justino Pinto de Andrade

 Na foto: vista da cidade de Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim    1. A minha memória regista uma interessante imagem de 1984, o ano em que conheci a Costa do Marfim, quando fui frequentar um curso sobre Análise e Gestão de Projectos patrocinado pelo Banco Africano de Desenvolvimento, e destinada a quadros superiores de vários países africanos....
<< 4 | 5 | 6 | 7 | 8 >>

 

www.a-patria.com      O portal de noticias de Angola

 

 

Clique no botão Play para tocar o Ipod!

As músicas tocarão automaticamente!



 

Publicite no nosso Site!