Mocambique: Mais de uma centena de detenções e muitos casos de destruição, diz a polícia

Mocambique: Mais de uma centena de detenções e muitos casos de destruição, diz a polícia

 

 
Cento e quarenta e dois detidos, quatro mortos, 27 feridos, 32 estabelecimentos comerciais vandalizados, diversas viaturas destruídas e vários saques a vagões de milho, é o balanço do dia em Maputo feito pela Polícia de Moçambique. 
 
Segundo o porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Pedro Cossa, as autoridades prenderam “142 indivíduos” decorrentes dos confrontos de hoje, em Maputo, que resultaram ainda em “quatro óbitos e 27 feridos, entre os quais dois agentes da polícia”. 
 
Durante o dia, especialmente no período da manhã, quase uma centena de feridos foram transportados para os três hospitais da capital. 
 
Muitos chegaram com ferimentos de balas, sendo que as autoridades hospitalares dão conta de seis mortos e, pelo menos, uma pessoa terá morrido atingida por uma arma de fogo. 
 
“As nossas forças usam sempre balas de borracha”, garantiu Pedro Cossa aos jornalistas, apesar de sublinhar que a polícia “não vai permitir atos com teor de violência”. 
 
Segundo o porta-voz, “a polícia foi obrigada a intervir para repor a ordem em algumas artérias que dão acesso à cidade de Maputo”, sendo que os números de que dispõe são ainda “preliminares” 
 
No total, referiu Pedro Cossa, 32 estabelecimentos comerciais foram vandalizados, duas viaturas ligeiras incendiadas (uma das quais da empresa Electricidade de Moçambique) e três veículos dos Transportes Públicos de Moçambique parcialmente destruídos e incinerados, além de outros três veículos que ficaram danificados. 
 
Também uma bomba de gasolina foi vandalizada, quatro postes de transporte de energia na Estrada Nacional 4 (Matola) destruídos e três vagões de milho saqueados na zona da Matola Gare. 
 
Quanto às áreas mais afectadas pelos confrontos, Pedro Cossa salientou o exemplo das Avenidas Vladimir Lenine (centro da cidade) e Acordos de Lusaka (em direcção ao aeroporto). 
 
“A polícia vai continuar a patrulhar as ruas da cidade, de Matola e de todo o território”, garantiu o porta-voz. “Se (quinta-feira) as pessoas se comportarem como comportaram hoje, a polícia vai à rua”, concluiu. 
 
 
Protestos são um «rebentamento pelas costuras», afirma responsável do MDM 
 
 
Os protestos que hoje ocorreram em Maputo significam um “rebentamento pelas costuras” de uma situação que já era esperada, disse José Manuel de Sousa, porta voz do Movimento Democrático de Moçambique (MDM). 
 
 
“É um rebentamento pelas costuras… Já havíamos feito ver e entender às pessoas que lidam com estas coisas que o nível de vida tinha subido bastante, que as populações não iam aguentar e a qualquer momento poderia repetir-se o que aconteceu em 5 de Fevereiro de 2008”, considerou o porta voz deste partido da oposição. 
 
Pelo menos seis pessoas morreram e 42 ficaram feridas, quatro das quais em estado grave, nos confrontos entre populares, que iniciaram hoje de manhã um protesto pelos aumentos dos preços dos bens essenciais, e a polícia. Os protestos começaram nos arredores de Maputo, mas estenderam-se ao centro da capital. 
 
Para o MDM, os acontecimentos desta manhã na periferia e na capital moçambicana não constituem uma surpresa. 
 
“O sentimento do MDM é que esta situação é muito triste e lamentável. O nosso apelo vai no sentido de que as pessoas que estão à frente do Estado moçambicano encontrem formas e maneiras para que, efectivamente, este sofrimento não seja tão evident”, sublinhou José Manuel de Sousa. 
 
“É importante e extremamente urgente encontrar políticas adequadas, para que cada vez que haja alguma subida dos combustíveis a nível internacional se possam encontrar caminhos internamente para que estas subidas não se façam reflectir no Zé Povinho, passe o termo. E que não tenha muita influência naquilo que é o básico das nossas populações, que é o pão”, acrescentou. 
 
O porta voz do MDM referiu que a situação é sobretudo preocupante “nas cinturas das cidades”, onde “as pessoas já não aguentam” novos aumentos dos produtos essenciais. 
 
“Já com os preços anteriores as populações viam-se à nora para conseguir o essencial para a sua família. Agora, com este aumento, não é possível sustentar. Previa-se esta manifestação a qualquer momento, que é justa, do ponto de vista legal está prevista na Constituição da República. Mas como MDM estamos contra a vandalização, isso é mau”, concluiu. 
 

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