Gbagbo rejeita Odinga como mediador da União Africana

Gbagbo rejeita Odinga como mediador da União Africana

O governo da Costa do Marfim informou ter deixado de aceitar o mediador da União Africana para crise política no país, o primeiro-ministro do Quénia, Raila Odinga, porque entende estar alinhado com o internacionalmente reconhecido vencedor das eleições presidenciais de Novembro, Alassane Ouattara.

 
 
Paralelamente, o Conselho de Segurança das Nações Unidas votou unanimemente na quarta-feira pelo envio de mais 2000 “capacetes azuis” para a Costa do Marfim, que se vão juntar aos 9000 soldados e civis da ONU que se encontram já no país. Paulo Faria.
 
O primeiro-ministro queniano, Raila Odinga, deixou Abidjan depois de ter mantido encontros extensivos com o presidente Laurent Gbagbo e o antigo primeiro-ministro Alassane Ouattara. Odinga afirmou que não se chegou a um consenso para resolver a crise política porque Gbagbo recusou discutir a sua saída do poder e quebrou por duas vezes a promessa de levantar o bloqueio ao hotel onde se encontra Ouattara.
 
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Gbagbo, Alcide Dedje, disse que Odinga mostrou que não e neutral na crise e que o governo deixou de aceitar a sua mediação.
 
Odinga deixou a Costa do Marfim para conversações com os chefes de estado do Gana, Angola e Burkina Faso.
Entretanto, todos os 15 membros do Conselho de Segurança aprovaram uma resolução autorizando o envio de mais 2000 soldados para a Costa do Marfim ate 30 de Junho.
 
A resolução expressa também profunda preocupação sobre a continua violência e violação de direitos humanos na Costa do Marfim, incluindo a violência contra militares e civis das Nações Unidas. O Conselho de Segurança realçou que os responsáveis pelos crimes contra o pessoal e civis das Nações Unidas devem ser responsabilizados.
 
Enquanto isso, dois especialistas em direitos humanos das Nações Unidas advertiram contra a possibilidade de genocídio na Costa do Marfim.
Edward Luck disse a jornalistas estar particularmente preocupado pelas alegações de que as forcas armadas e grupos de milícias que apoiam grupos opositores estão a recrutar e a armar grupos étnicos aliados a cada um dos campos e disse haver já confrontos étnicos em várias áreas da Costa do Marfim.
 
“Existe um risco real de que tais confrontos possam espalhar-se através do país. Se não forem contidos, podem culminar em atrocidades em massa. Pedimos a todas as partes na Costa do Marfim para refrearem discursos inflamatórios que incitem a ódio e violência.”
 
Luck acrescentou que o seu receio e de que se possa estar à beira de algo que pode ser muito feio e muito destrutivo. 
 
 
Presidente angolano recebe mediador da UA 
para crise na Côte d'Ivoire
 
O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, recebeu hoje, quinta-feira, garantias do mediador da União Africana para a crise na Côte d’Ivoire, Raila Ondinga, de que a União Africana defende uma solução pacífica e negociada para a crise pós-eleitoral naquele país.
 
“Defendemos uma solução negociada que satisfaça os anseios do povo da Côte d’Ivoire. Acreditamos que há possibilidades para o diálogo e busca de uma solução pacifica”, disse Raila Ondinga, à imprensa, após a audiência que lhe foi concedida pelo Chefe de Estado angolano.
 
Raila Ondinga confirmou que a União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) apoiam os esforços tendentes a uma solução pacífica para o problema naquele país africano, mas admitiu o recurso à força legítima como último recurso.
 
O também primeiro-ministro do Quénia concorda com a posição defendida por Angola no sentido de encorajar e apoiar o diálogo e a negociação, na medida em que uma intervenção militar teria um efeito perverso.
 
De acordo com Raila Ondinga, durante o encontro com José Eduardo dos Santos foram apontadas diferentes hipóteses para o problema, com excepção da repetição da segunda volta das eleições presidenciais.
 
“A solução encontrada para as crises verificadas no Zimbabwe e no Quénia não se enquadram no caso da Côte d’ Ivoire”, declarou, referindo-se à partilha de poder adoptada nos dois países.
 
Defende o início imediato das negociações entre as duas partes, visando a resolução da crise por meio de intervenientes africanos e sem interferência externa.
 
À semelhança de Angola, Raila Ondinga considera que os problemas da Côte d’ Ivoire devem ser resolvidos pelos ivorienses e pela União Africana. “Os seus problemas são africanos e devem ser resolvidos por africanos”.
 
No seu entender, a crise criada é um desafio para o processo de democratização de África, porque no próximo ano 17 países vão realizar eleições, por isso a sua resolução poderá servir de exemplo positivo.
 
 
Fonte: VOA/ANGOP
  

 

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