Dhlakama considera "perigosa" para a paz alegada partidarização

Dhlakama considera "perigosa" para a paz alegada partidarização

   

Maputo - O presidente da RENAMO, o maior partido da oposição moçambicana, Afonso Dhlakama, e signatário há 18 anos do Acordo Geral de Paz, considera a alegada partidarização do exército moçambicano extremamente perigosa para a paz" no país.  
 
 
Na qualidade de líder da antiga guerrilha da RENAMO, Afonso Dhlakama assinou a 04 de Outubro de 1992 em Roma o Acordo Geral de Paz com o chefe de Estado moçambicano de então, Joaquim Chissano, pondo termo a 16 anos de guerra civil no país.  
 
Volvidos 18 anos após o acordo, o presidente da RENAMO considera que "a situação do exército moçambicano é extremamente perigosa" para a paz, devido a uma suposta "influência da FRELIMO", partido no poder e ex adversário na guerra civil.  
 
 
"Há muitas coisas (do Acordo Geral de Paz que não estão a ser cumpridas). Mas esta situação do exército é extremamente perigosa, é a parte em que todos temos que nos concentrar para corrigir", afirmou, em entrevista ao diário "O País", a partir da província de Nampula, centro de Moçambique.  
 
 
Afonso Dhlakama fixou residência na província de Nampula, após as eleições gerais de outubro do ano passado, nas quais perdeu, desafiando as leis do país que obrigam o líder da oposição a residir na capital do país, Maputo. 
 
"As guerras em África, os conflitos, os golpes, são feitos pelos exércitos. Quando o exército é influenciado pelo partido no poder, quando esse partido, por alguma razão, devendo abandonar o poder, automaticamente ordena os seus comandos a atacarem o governo eleito democraticamente", observou o líder da RENAMO.  
 
 
Para Afonso Dhlakama, o Governo da FRELIMO violou o princípio da bipartidarização do comando do exército moçambicano, definido no Acordo Geral de Paz, por alegadamente ter promovido a desmobilização dos militares provenientes da RENAMO.  
 
 
"Quando assinámos o Acordo Geral de Paz, acordámos que se devia formar um exército nacional de 30 mil homens, 15 mil da RENAMO e 15 mil da FRELIMO. Só que a FRELIMO começou a recuar, dizendo que não tinha dinheiro para formar um exército de 30 mil homens e formou um exército muito pequeno", afirmou. 
 
Passados alguns anos, acusou Afonso Dhlakama, "a FRELIMO começou a desmobilizar e retirar os quadros superiores que vinham da RENAMO".  
 
Apesar de reconhecer que "valeu a pena" ter assinado o acordo, Afonso Dhlakama apontou ainda "o sofrimento da população, a falta de justiça, de liberdades, desenvolvimento e de emprego" como outros ganhos que a paz não conseguiu gerar para a população moçambicana, acusando a FRELIMO por esses falhanços.  
 
 
Mas "com a paz, apesar da má governação e corrupção, já existem investimentos estrangeiros no país, valeu a pena", disse o líder da oposição moçambicana.
 
  
Como nos outros anos, Afonso Dhlakama voltou a pautar pela ausência das cerimónias centrais comemorativas do Dia da Paz, que se assinala a 04 de Outubro de cada ano, mantendo o boicote aos actos de Estado dirigidos pelo Governo da FRELIMO, ao qual não reconhece legitimidade por alegada fraude eleitoral.   

 

Fonte: Angop

 

 

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