Angola: Diplomacia Angolana, época pré-independência e pós-independência

Angola: Diplomacia Angolana, época pré-independência e pós-independência

 

A diplomacia não se realiza sempre da mesma forma. No caso de Angola, disse Francisco Queirós, poderíamos dividir a evolução desse domínio em duas grandes épocas: a época pré-independência e a época pós-independência.

A época pré-independência não pode ser a longínqua, neste período muito afastado da nossa existência, se calhar não se coloca o problema de política externa, como as concebemos actualmente.

Interessa ver que a partir de um determinado momento histórico, a política externa de Angola se realizou antes da independência e é importante situar esse momento histórico no início da luta Armada de Libertação nacional, em 1961.

No entanto, é necessário especificar que as relações internacionais de um país devem ser conduzidas por estados ou organizações internacionais, esses são os sujeitos jurídicos das relações internacionais, das entidades que têm personalidades jurídicas internacionais.

Depois da independência de Angola foi possível identificar três momentos distintos: de 1975 a 1992, de 1992 até 2002 e de 2002 para cá.

De 1975 até 1992, os aspectos que influenciaram a política externa, foram o facto de ter sido o MPLA a conquistar o poder político e passou a exercer um poder de Estado.

Para além disso, outro factor que influenciou a independência conquistada pelo MPLA não ter sido reconhecida por muitos estados e organizações internacionais. Esse factor também veio a influenciar a diplomacia e a política externa angolana.

Outra razão teve a ver com o facto de o país passar a ser vítima de agressão militar directa, quer por parte do Exército do Apartheid da África do Sul, quer do Exército do Congo Kinshasa, quer por acção indirecta de outros países.

Estes três factores, nomeadamente o não reconhecimento de Angola por outros países, o facto de ter passado a ser vítima de agressão, e a necessidade de consolidar a política externa, vieram influenciar toda política externa do país nessa época, de 1975 a 1992.

A política externa nesta altura, converteu-se em acções diplomáticas em política externa convencional, porque criaram-se estruturas de condução da política externa, o MIREX, que era a entidade executora da política externa, sempre orientada e directamente acompanhada pelo Presidente da República, dada a importância das relações exteriores nessa época e mesmo em épocas anteriores.

A diplomacia encetada pelo MPLA, visa efectivamente em manter a conquista do poder e afirmar o poder político. Nesta altura, disse "podemos dizer que estávamos diante de uma diplomacia de defesa da soberania" Em 1992, dá-se uma alteração política e económica, uma alteração das bases filosóficas do regime político e do regime económico. Essas alterações nos domínios económicos têm influência ao nível da política externa.

A política externa começa, a partir dai a exercer alguma turbulência em termos de revisão do modelo. De 1992 para 2002 passa a ser uma época decisiva para a política externa angolana.

Em termos internacionais, a situação era caracterizada pela queda do socialismo e o fim da Guerra Fria.

Desapareceram os Blocos de influência, desapareceu o confronto Leste/ Oeste. Nesta época desenvolveu-se também o conceito de pressão económica nas relações internacionais.
Diplomacia económica

Se até a esta altura os grandes instrumentos da política externa eram a diplomacia de inteligência e contrainteligência, a diplomacia política de alianças, de identificação ideológica e a diplomacia económica emerge como um dos principais instrumentos da realização da política externa.

É neste contexto internacional que Angola começa a sentir necessidade de redefinir a sua política externa.

Internamente o país também conhece alguns factos que passam a ter influência sobre a política externa.

A mais importante foi a alteração do regime económico, político, a realização de eleições em 1992, as conversações com a UNITA para o fim da guerra e o início do processo de reconciliação nacional.

Tudo isto vai ter influência sobre a diplomacia angolana neste período.

A nível económico, por força das alterações com a implantação da economia de mercado e com ela começa a se questionar uma série de aspectos, da vida política e social.

Nesta altura questiona-se também o modelo de relações internacionais, o modelo de política externa seguido por Angola, uma vez que o sistema económico já não era baseado na economia centralizada e começa-se a falar de uma diplomacia económica, que reflectia já essa grande preocupação de alterar a política externa no sentido de maiores preocupações económicas.

"Aquela diplomacia baseada na política de alianças, em identificações ideológicas, amizades com países aliados, do Leste, que depois serviu de apoio nas Nações Unidas e noutros fóruns internacionais para defender a causa de Angola, a esta começa a suceder uma outra diplomacia, mas marcadamente económica" A partir daí compreende-se que as relações entre Estados não são ditadas pela amizade. Entre Estados não há propriamente amizade, poderá haver entre os povos.

"Entre os Estados, as relações nunca são de amizade, as relações entre Estados são de interesses e são essas que determinam as relações entre os Estados e sobretudo os interesses económicos".



Fonte: Angop
 

 

 

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