A rivalidade eleitoral na Guiné-Conacry

A rivalidade eleitoral na Guiné-Conacry

 

A Guiné-Conacry, depois do golpe protagonizado pelos militares, tem, a exemplo dos anos precedentes, vivido momentos difíceis no que toca à sua afirmação como comunidade política.


Sucessivas crises internas têm dominado a vida política do país e o futuro continua dependente das classes dirigentes da sociedade, facto que tem estado na base de manifestações na cidade capital.


A actual situação política, além de estar associada aos problemas económicos e à insatisfação da maioria quanto à liderança interina dos militares nos destinos do país, tem também fortes motivações na forma como se procedeu à fiscalização e gestão da primeira volta das presidências pela Comissão Nacional Independente.


Os últimos distúrbios registados no país, reflectiram fortes indicadores de insatisfação popular, face aos níveis de transparência e credibilidade do processo eleitoral.


O facto de ter sido protagonizada pelos militantes dos dois candidatos não limita, obviamente, a possibilidade de ter havido também outros autores que se aproveitaram da situação para inviabilizar o processo eleitoral, tido por muitos como “fraudulento”. Neste preciso contexto, existe uma espécie de “rivalidade eleitoral” entre os eleitores de Cellou Diallo e de Alpha Conde que transcende a capacidade de controlo destes dois líderes. Os militantes de Alpha Conde acreditam que Cello Diallo beneficiou e pode seguramente beneficiar de uma ajuda eleitoral invisível na segunda volta. Esta tese mentalizada, cimenta a rivalidade entre ambos, sem deixar de contar com o apoio dos militantes cujos partidos se aliaram aos dois candidatos.


Alpha Conde conta com o apoio da Aliança Arco Íris, coligação de 105 partidos e mais de 400 movimentos de apoio, e Cello Diallo conta com uma forte base de apoio não desproporcional à do seu adversário.


É importante ter presente que uma das razões que impediu a não realização da segunda volta foi precisamente o facto de terem sido interpostos vários recursos no Tribunal Supremo por vários partidos, com destaque para Alpha Conde, que defendia a tese da fraude eleitoral. A instância judicial, ciente das repercussões que emergiram no momento, decidiu adiar a realização do pleito para gerir os ânimos após a primeira volta.


A morte de Ben Sékou Sylla, que foi presidente da Comissão Nacional Independente (CENI) e condenado a um ano de prisão efectiva por fraude eleitoral traz, evidentemente, novas complicações a um processo eleitoral que se revela bastante complexo. A condenação, apesar de não ter sido efectivado em virtude da sua morte, tornou credível a contestação dos vários partidos que defendiam a tese de fraude eleitoral e colocava sérias reticências na gestão do processo eleitoral.


Diante deste quadro, Alpha Conde e os partidos que o apoiam manifestaram-se, depois das informações sobre a morte de Ben Sylla, contra a liderança interina da CENI por Hadja Amita Camara, que consideram ser uma personalidade muito próxima de Cello Diallo. Com efeito, propuseram ao primeiro-ministro Jean Marie Doré a criação de um ambiente eleitoral estável, a nomeação de uma outra entidade da sociedade civil que ofereça maior confiança e credibilidade.


Diante deste quadro, é muito pouco provável que a segunda volta tenha lugar, como proposto no actual calendário eleitoral para 19 do corrente mês, porque a grande preocupação é a liderança do CENI.


Parece portanto que a solução para se criar um quadro eleitoral estável está subordinada à nomeação de uma outra liderança e consequente substituição de figuras do CENI ligadas ao finado Ben Sékou Sylla.


Este procedimento pode não introduzir alterações no quadro eleitoral, muito menos propiciar condições para que os eleitores aceitem os resultados da segunda volta com civilidade, mas é a opção necessária para garantir o encerramento de um processo complexo.

 

*Lutina Santos

Porfessor Universitario

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