A replicação de Moçambique em Angola?

A replicação de Moçambique em Angola?

 Luanda - As autoridades e forças de segurança angolanas deixam escapar diversos sinais de nervosismo face às muitas razões de descontentamento.

 
Os altos níveis de desemprego, as sucessivas vagas de criminalidade, o progressivo aumento do custo de vida, as debilidades estruturais da saúde, do ensino e da habitação, em paralelo com a ostentação excessiva de riqueza por pessoas próximas dos círculos de poder, as inúmeras promessas não cumpridas pelo Executivo e a possibilidade de replicação dos acontecimentos de desobediência civil moçambicana, constituem ingredientes que anunciam o perigo de uma explosão de protestos, à semelhança do sucedido em Moçambique.
 
O Balanço de 200 dias de governação espelha, em estilo e mensagem, esses mesmos sinais, denotando muita apreensão no Executivo. Tais receios, são sublinhados pelo não acompanhamento dos acontecimentos de Moçambique dos principais órgãos de comunicação social do país, incluindo a TPA e TV Zimbo, decisão editorial que terá sido atribuída a «orientações superiores».
 
Diversos órgãos de comunicação social angolanos, como os periódicos «A Capital», «Semanário Angolense», «Folha 8» e a rádio «Despertar», têm-se constituído alvos prioritários dos círculos de poder depois das inúmeras denúncias de corrupção que vinham veiculando. Todas as vozes não silenciadas vêm sendo consideradas, pelas autoridades, como «orquestrações» da oposição, «em nada correspondendo com a realidade».
 
Porém, em relatório publicado em Maio de 2010 sobre o Estado dos Direitos Humanos no Mundo, a Amnistia Internacional resumia a situação em Angola: «Execuções extrajudiciais, uso excessivo da força, voz de prisão, detenções arbitrárias, torturas e maus-tratos.» Tais acusações não fazem eco no Executivo, sendo empregues as mesmas narrativas, de «orquestrações» da oposição. A 07 Setembro, o Secretário para a Informação do MPLA asseverava que «desde segunda-feira estão a surgir, na Rádio Despertar (emissora afecta à UNITA), apelos à desobediência civil, que têm respaldo em discursos de alguns dirigentes da UNITA, em particular do seu presidente».
 
Assim, e ainda que o crescimento económico angolano se perspective substancial, não se vislumbra que as condições de pobreza sejam alteradas de forma significativa, conforme edição de 2010 do relatório Perspectivas Económicas em África publicado pelo Banco Africano de Desenvolvimento e da Organização pela Cooperação e Desenvolvimento Económico, em que se sublinhava que “uma pequena elite com conexões ao partido governante domina o sector privado em Angola, e o ambiente para negócios permanece tenebroso” num quadro em que, segundo estimado pelo Programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento, «35 por cento da população sofre de subnutrição.»
 
Desta forma, em Luanda – com os seus quase 8 milhões de habitantes, dos quais, mais de metade, jovens desempregados, – os musseques e as sanzalas estão sob o olhar atento das autoridades, melindradas com o sucedido em Moçambique.
 
 
PNN: Portuguese News Network

Comentario

Não foram encontrados comentários.

Novo comentário

Reflexão da semana

Os Últimos Dias De Savimbi - José Gama

Entre os dias 4 e 8 de  Abril  de 2001,   a UNITA reuniu a sua direcção e militantes,  para reflectir estratégias naquilo que veio a ser  sua 16ª conferência partidária cuja discussão  interna  atribuía-lhe particularidades de  um congresso. O local escolhido foi a  área de saluka, na nascente do rio Kunguene, um afluente do...
1 | 2 | 3 | 4 | 5 >>

 

www.a-patria.com      O portal de noticias de Angola

 

 

Clique no botão Play para tocar o Ipod!

As músicas tocarão automaticamente!



 

Publicite no nosso Site!