A Prata da casa - João Paulo.

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De tempos em tempos aparece uma nova industria no mundo que consequêntemente faz com que apareça uma sub-industria de apoio a essa mesma industria. 
 
A internet por exemplo fez aparecer muitas sub-industrias(ou firmas, como queiramos chamar)de apoio a ela, tais como empresas especializadas em “software” anti-virus, etc. Com isso criam-se tambem novos postos de empregos, genera-se novo capital e toda gente fica feliz. 
 
E tal como a dinâmica que caracteriza todas as revoluções, em Angola tambem temos esse fenomeno, de tempos em muito, muito tempo, temos uma nova revolução: tivemos a revolução dos bagageiros no roque Santeiro e com ela veio uma sub-industria: as tendas de mufetes onde os bagageiros iam comer durante as pausas depois de umas jornadas durissímas, tambem apareceu a industria dos “hiaces”(atencao,não confundir com taxis) que fez com que aparecesse a sub-industria das garagens descartaveis aonde um hiace(carro)com o motor  “a babar” e fabricado pronto a rodar a volta de 100 kilometros mais do que a vida natural que ele tinha, depois volta outra vez na garagem e a historia se repete  até que o motor desse a ultima babada.
     
No meio destas indutrias todas, a mais revolucionaria é a da gasosa, onde até na bolsa de Luanda o valor de um producto é avaliado pela gasosa que se tem que pagar por ele, quando mais em demanda,  e o producto mais gasosa se paga por ele. 
 
Recordo-me do que disse certa vez o antigo presidente americano Ronald Reagan sobre a politica de impostso dos seus adversarios democratas:
 
"Para os democratas tudo o que se move lhes põem um imposto encima, se continua a mover-se aumentam lhe o imposto”.
 
Se Reagan vivesse em Angola e testemunhasse o nosso sistema das gasosas, certamente tería exprimido o seu pensamento do seguinte modo: 
 
"Tudo que dá lucro se lhe cobra uma gasosa; se continua a dar lucro aumenta-se na gasosa".
 
Ainda bem que em Angola praticamente não se paga imposto porque com a gasosa tao alta de certeza que pagaríamos impostos exorbitantes. 
 
Claro que tudo isso é ilegal; no que concerne ao povo comum, a aceitação e pratica do fenomeno "gasosa" nasceu da necessidade de sobrevivencia, do “safa-se quem puder”, da falta de politicas claras que corrijam esse caos. (Bem, os politicos tambem têm as suas gasosas, que muitas vezes se traduzem nas comissões recebem em negocios questionaveis. Os resultados de tais ilegalidades vemos traduzidos nos Hummers, Mercedes Sls cabrios, amantes mil entre outros mambos e malambas, o que não é pouco...!); Isso me faz lembrar de uma afirmação do Presidente da Assembleia Nacional quando questionado sobre a nova constituição (tipicamente atipica) que tinha sido recentemente aprovada: 
 
"Temos que dar mais valaor a prata da casa ,não podemos só copiar o que vem de fora...”
 
Nunca mais me esquecerei desta frase.
 
 
*Amsterdão/Holanda 

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